Haddad: ‘Não podemos normalizar o que Flávio Bolsonaro fez no debate’
Haddad: ‘Não podemos normalizar o que Flávio Bolsonaro fez no debate’
247 – Fernando Haddad (PT) criticou a atuação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no debate presidencial realizado pela Band no domingo (18). Em vídeo publicado nas redes sociais, o ex-ministro da Fazenda acusou o candidato do PL de desrespeitar as regras do confronto ao fazer gestos e expressões enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) falava. Para Haddad, a conduta permitiu que o adversário se comunicasse com os eleitores durante o tempo reservado ao presidente.
“Você faz aquela micagem e aquilo, na minha opinião, conflita com as regras do debate, eu vou te explicar por quê”, afirmou Haddad ao comentar o comportamento do senador. O ex-ministro argumentou que a possibilidade de circular pelo estúdio não autorizava Flávio a usar gestos para reagir às falas de Lula enquanto o presidente estava com a palavra. “Você pode circular, mas aquilo não é circular.
Aquilo que o Flávio fez foi usar o tempo do presidente Lula para conversar com o eleitorado, estando por trás do presidente num jogo de mímica, acenando com a cabeça, acenando com o dedo indicador”, disse. Na avaliação de Haddad, o senador deveria ter esperado o fim da fala do presidente para apresentar suas críticas durante o próprio tempo de participação. O ex-ministro afirmou que os gestos funcionaram como uma forma de manifestação política paralela, sem que Flávio precisasse aguardar sua vez de falar.
“Ou seja, ele tava falando o que ele pensava do que o presidente estava dizendo, no tempo do presidente. Ele tinha que aguardar o presidente falar e aí ele podia falar ‘não concordo com isso, isso é um absurdo’, no tempo dele”, declarou. Haddad critica condução do debate Além de questionar a postura de Flávio Bolsonaro, Haddad criticou a condução do debate e afirmou que faltou firmeza na administração das regras.
Para o ex-ministro, a organização do confronto deveria ter impedido que um dos candidatos utilizasse o tempo do adversário para se comunicar com o público. “O que ele fez conflita com a regra. E eu senti ali falta de pulso.
Ali não teve uma administração do debate da maneira como deveríamos ter”, afirmou. Haddad disse esperar que a experiência do encontro de domingo (18) contribua para evitar situações semelhantes nos próximos confrontos entre os candidatos. Ao voltar a criticar a atuação do senador, o ex-ministro também fez referência à participação de Pablo Marçal, que teria orientado Flávio para o debate.
“Então eu quero crer que o próximo debate possa contar com a experiência desse, pra evitar que um candidato faça papel de mico de circo”, disse Haddad. Na sequência, o ex-ministro associou a atuação do senador à orientação recebida do influenciador. “Que foi o que o Flávio Bolsonaro fez, comandado por um coach, que é um verdadeiro 171, que está com os direitos políticos cassados em virtude de fraude em relação ao seu adversário.
Então nós temos que ter clareza de que tipo de gente nós estamos lidando”, declarou. Haddad avalia reação da campanha de Lula No vídeo, Haddad também comentou o cenário eleitoral e demonstrou confiança no desempenho da campanha de Lula na disputa presidencial. O ex-ministro reconheceu que o resultado ainda é incerto, mas argumentou que a evolução registrada nas pesquisas representa uma recuperação em relação à situação enfrentada após o primeiro turno.
“Eu insisto em dizer: nós estamos indo bem. A democracia brasileira, nós estamos na briga, nós estamos na luta pelas liberdades e pela democracia. Não sabemos ainda o resultado da eleição”, afirmou.
Haddad lembrou que, duas semanas antes, a campanha de Lula havia encerrado o primeiro turno em uma posição desfavorável diante da soma dos votos dos candidatos do campo conservador. Segundo ele, a diferença a ser superada não se limitava à distância entre os dois candidatos que avançaram para a etapa seguinte da disputa. “Mas pra quem saiu do primeiro turno, duas semanas atrás, da maneira como nós saímos, não era só dois pontos atrás, era dois pontos atrás e mais oito pontos no campo conservador com os outros quatro candidatos”, disse o ex-ministro.
Na avaliação de Haddad, a redução dessa distância ao longo da campanha indica uma mudança no cenário eleitoral. Ele afirmou que a disputa chegou à semana anterior à votação com empate numérico, tanto no agregador de pesquisas quanto no acompanhamento interno da campanha, conhecido como tracking. “Então nós tínhamos um desafio de dez pontos.
Chegar faltando uma semana, empatados numericamente pelo agregador de pesquisas e também pelo nosso tracking, eu acho que é a demonstração de que a sociedade brasileira tem muita gente boa”, declarou. Ao encerrar esse trecho de sua avaliação, Haddad atribuiu parte do desempenho da campanha à mobilização de apoiadores nas redes sociais. Segundo ele, pessoas favoráveis a Lula têm publicado vídeos para apresentar argumentos e explicar questões relacionadas à disputa eleitoral.
“Que tá dando a cara a tapa, que está indo pra luta, de cara limpa nas redes sociais, fazendo vídeos às vezes de vinte minutos, dez minutos para explicar uma situação”, afirmou o ex-ministro.